Segunda, 25 Abril 2016 19:08

PROTEJA SEU CÃOZINHO DA LEISHMANIOSE - DR EDGAR HOSHI - VILLA PET

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A leishmaniose visceral canina (LVC) possui como agente etiológico o protozoário Leishmania donovani chagasi, transmitido por meio da picada do mosquito Lutzomyia longipalpis (popularmente conhecido no Brasil por mosquito palha) que está contaminado com o parasita em questão. Esta doença é uma zoonose, ou seja, é transmitida dos seres humanos para os animais e vice-versa, acometendo, em especial, o cão doméstico. Neste último, ao contrário do que acontece nos humanos, a doença normalmente acomete animais sadios. 

1- Quando é que se deve suspeitar de leishmaniose visceral num cão?

Sempre que o cão apresentar o conjunto de sintomas da doença, ou seja,emagrecimento, descamação da pele, queda de pelos, desânimo, olhar triste, os olhos remelentos e as unhas crescem muito.

2- O cão pode estar com leishmaniose sem apresentar sintomas?

Sim. Nas áreas onde existe transmissão de leishmaniose visceral a maioria dos cães que se infectam não apresentam sintomas.

3- Existem áreas de transmissão de leishmaniose visceral canina em Santa Catarina?

Até o momento a única área de transmissão de leishmaniose visceral fica no município de Florianópolis, na região da Lagoa da Conceição. Os primeiros casos caninos foram diagnosticados em 2010. Até o momento não existem casos humanos de leishmaniose visceral adquiridos em Santa Catarina.

4- O que pode ser feito para proteger o cão contra a leishmaniose?

O principal modo de proteção é evitar que seja picado pelos flebótomos (mosquitopalha),por isso é recomendado utilizar coleiras impregnadas com Deltametrina a 4%. As coleiras devem ser utilizadas em todos os cães, mesmo naqueles que tiverem sido vacinados.É importante ressaltar que o uso das coleiras não pode ser interrompido. Elas devem ser sempre substituídas quando perderem o prazo de validade.

5- Adianta vacinar?

A vacina pode ter efeito protetor para o animal vacinado, mas mesmo assim ele ainda corre risco de se infectar, pois a vacinação não confere 100% de proteção

6 -Qualquer cão pode receber a vacina?

Não. Só podem ser vacinados os cães maiores de 4 meses, sem sintomas de leishmaniose e, também sem anticorpos para Leishmania no sangue, isto é, aqueles que foram testados e tiveram resultado sorológico negativo.

7 -Que tipos de vacinas existem?

Atualmente existe apenas uma vacina que, após ser analisada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e pelo Ministério da Saúde (MS), obteve autorização para ser fabricada e comercializada, a Leish-Tec da empresa “Hertape Calier Saúde Animal”.

8 -O cão vacinado pode pegar leishmaniose visceral canina?

Sim, pois cada animal responde à vacinação de acordo com sua capacidade imunológica. Segundo o fabricante, a proteção conferida pela vacina é de 96,41%, ou seja,não chega a 100% dos animais. Entretanto estudos que compararam animais vacinados e não vacinados mostraram uma eficácia da vacina de 71%. Deste modo, mesmo o cão vacinado pode se infectar com Leishmania e assim virar uma fonte de infecção (reservatório do parasita) para os “mosquitos-palha”.

9 -Vacinar os cães diminui o risco de transmissão de leishmaniose visceral para as pessoas ou animais?

Não se sabe. Os estudos realizados não avaliaram o impacto do uso da vacina na redução da incidência da doença em humanos. Desta forma, a Leish-Tec pode ser utilizada apenas como medida de proteção individual para os cães.

10- O que deve ser feito se um cão vacinado vier a apresentar sorologia positiva?

A sorologia positiva é interpretada como sinal de que houve a infecção pela Leishmania visto que a vacina tem falhas. Portanto, o animal é tido como portador de leishmaniose e está sujeito às medidas sanitárias vigentes.

11 -Animais com sorologia positiva podem transmitir o parasita (Leishmania) para o vetor (mosquito-palha) mesmo se não tiverem sintomas da doença?

Sim. Na natureza os cães são os reservatórios do parasita Leishmania chagasi/infantum, por isso eles raramente adoecem. No entanto, mesmo aparentemente saudáveis, eles ficam com a pele muito parasitada. Quando o mosquito-palha (flebótomo) pica o cão, suga os parasitas da pele junto com o sangue e se torna um transmissor da doença (vetor), podendo passá-la para outros cães ou para as pessoas.

12 -Tratar os cães doentes ou soro positivos poderia ajudar a controlar a disseminação da doença?

Infelizmente o tratamento dos cães não ajuda. Os cães tratados melhoram temporariamente, mas continuam com o parasita na pele mesmo estando sem sintomas,porque são os reservatórios naturais deste parasita. Se o cão infectado não for eliminado continuará sendo fonte de infecção para os flebótomos e oferecerá risco de transmissão de leishmaniose visceral para as pessoas. A leishmaniose visceral humana, se não for tratada a tempo, mata.

13 -Existe algum medicamento liberado pelo MAPA (Ministério da Agricultura,Pecuária e Abastecimento) para o tratamento da leishmaniose visceral canina (LVC)?

Não. Atualmente o MAPA não tem nenhum medicamento liberado para o tratamento de cães. Além disto, a Portaria Interministerial nº 1.426/2008, proíbe o tratamento de cães com produtos sem registro no MAPA, bem como a importação de medicamentos para tratamento de LVC. Deste modo, tanto o proprietário do cão quanto o médico veterinário estarão sujeitos às penalidades previstas caso desrespeitem a referida Portaria. 

14 -Vacinas contra leishmaniose podem ser utilizadas para o tratamento da doença em cães?

A vacina só está indicada para animais sadios, com sorologia negativa, para proteção individual do animal. Elas não têm efeito curativo, pois como já foi explicado, os cães permanecem parasitados mesmo depois da cura clínica, que é a melhora dos sintomas. 

15- Os medicamentos utilizados para o tratamento da leishmaniose visceral humana podem ser usados para tratar a LVC?

Não. A Portaria Interministerial nº 1.426/2008 proíbe o uso de medicamentos humanos para tratamento canino de leishmaniose. Essa proibição deve-se ao fato de que o uso rotineiro dessas drogas no tratamento de cães, favorece o surgimento de protozoários resistentes. As drogas disponíveis para tratamento humano da leishmaniose visceral são poucas, se o parasita criar resistência a elas poderia ficar muito difícil tratar os casos humanos e isso aumentaria o número de óbitos.

Fonte – Dr Edgard Hoshi – Médico veterinário e Professor de medicina veterinária Unopar